sexta-feira, 9 de março de 2012
Encerramento das atividades
Essa companhia nasceu da minha vontade, quando menor, de aprender mais sobre a escrita e sobre as pessoas.
Achei que convidando escritores diferentes e vendo a interpretação deles me tornaria um escritor melhor.
Tive muitas experiências boas com os sócios e sinto que aprendi um pouco. No entanto, foi muito leviano de minha parte acreditar que poderia continuar com esse projeto e talvez fazê-lo crescer.
A Cia. Dois Caras já está morta há algum tempo. As pessoas não se interessam em escrever e não se pode fazer essa companhia com apenas um. Um não é o bastante.
Os últimos temas sorteados foram "Globo" e "Mortos não contam histórias".
Vou colocar os meus textos aqui, mesmo sem os sócios. Isso para não deixar nada pendente por aqui.
Também vou liberar a lista de temas para quem tiver curiosidade em saber como ela era.
"Globo" - Solange quer ir a Nova Iorque
"Mortos não contam histórias" - Balada de los muertos
Lista de temas
A Cia. Dois Caras, uma última vez, agradece.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Outra Substituição
Faremos mais uma substituição, e provavelmente a última agora.
O novo sócio, como de costume, se apresentará junto com o seu texto.
É um rapaz muito habilidoso com a escrita que tem um estilo próprio muito diferente dos textos que já li.
Já escreveu sobre esquizofrenia, campos de concentração, pessoas perdidas no deserto e agora encara o tema já sorteado "Globo".
Perdoem os atrasos anteriores. Estarei mais atento às rodadas de textos da Companhia.
A Cia. Dois Caras agradece.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Substituição
A Cia. Dois Caras agradece.
sábado, 6 de agosto de 2011
Breve retorno
Temos uma associada honorária muito especial para essa rodada de textos. Naturalmente, ela mesma se apresentará, mas acho que posso fazer uma curta introdução. Apesar de conhecê-la a pouco tempo, logo percebi que se tratava de uma garota muito forte, firme e segura de suas palavras. Por certo, não lerão quaisquer inverdades do que ela escreverá, ficção ou não, comédia ou drama, será a manisfestação mais correta e pura de si.
Vamos para o tema dessa rodada:
Globo
A Cia. Dois Caras agradece.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Apascenta meus cordeiros
Boa leitura
São Pedro acordou com o som alto de seu despertador que entoava o cântico de 1129 planetas girando em elipses segundo algum ponto de vista. Pegou o despertador ainda embaixo das cobertas e desligou o alarme. Eram 6 e meia. Quer dizer, certamente não era 6 e meia, o lugar onde estava (se puder chamar lá de “lugar”) era atemporal e não fazia o menor sentido dizer que era um ou outro horário. São Pedro porém gostava de pensar que acordava para ir ao trabalho 6 e meia.
Rapidamente se levantou da cama e abriu a janela de seu quarto. Era um flat pequeno, com alguns eletrodomésticos, uma cama branca como uma nuvem, um banheiro e um armário de madeira. Ficou algum tempo admirando a paisagem, que daquela vez era as montanhas do Chile minutos antes do degelo mundial. Depois de alguns instantes decidiu se arrumar logo para não se atrasar, embora nunca pudesse se atrasar naquelas circunstâncias. Foi até o armário e escolheu o corpo de um menino ruivo e sardento de 14 anos, calcas jeans azuis, uma camisa polo cinza, um casaco grande pomposo, boné azul e sandálias de couro.
São Pedro saiu de casa segurando uma prancheta com muitas folhas e uma caneta pendurada. Trancou a casa e saiu, embora não houvesse necessidade, não apenas por não existirem ladrões por lá, mas sim por que a casa não existia realmente. Andou por muitas calçadas brancas, gramados verdes, enquanto donas de casa e garotos que não exitiam o cumprimentavam. Até Deus achou tudo aquilo excentricidade demais, mas acabou cedendo, afinal não era Ele quem ficaria toda a eternidade naquele lugar, mesmo que teoricamente Ele seja onipresente e esteja em todos os lugares.
Depois de muito andar e muito cumprimentar, chegou a um parque da prefeitura, muito verde, com muitas árvores, um portão de ouro aberto e um pequeno banco ao lado. Na frente daquele portão estava sentado um rapaz que existia e olhava para o chão distraído.
- Por Deus! Você ainda está aí? – Perguntou São Pedro tirando a blusa e colocando no banco junto com a prancheta – Há dois dias abri o portão para você e ainda não entrou? – Resmungou, mesmo sabendo que não existiam dias ou noites naquele lugar.
- Não posso entrar em um lugar que não existe – Disse o rapaz ainda olhando para o chão.
Há dois dias, segundo São Pedro, aquele jovem chegou aos portões do paraíso. Uma ordem direta foi mandada para que o deixassem entrar sem complicações e as eventuais burocracias, no entanto, o rapaz não se moveu um centímetro de onde havia sentado.
- Como pode dizer isso? – São Pedro sabia que existência não era exatamente a melhor qualidade a se dar para aquele lugar, mas a conversa já estava complicada demais sem aquilo.
- Por que eu deveria acreditar que esse é o paraíso? – Perguntou o jovem.
- Oras, não vê os portões dourados a sua frente?
- Então, eu devo acreditar em tudo o que vejo? Ver é o suficiente para existir?
Ver não é o suficiente para existir, não se pode discutir disso. Ou melhor, pode-se discutir sobre tudo, mas é preciso estar disposto. São Pedro não estava acostumado a discutir existência, muito menos era comum ter de convencer alguém a entrar no paraíso.
- Talvez ver não seja mesmo o suficiente, mas não é por isso que devemos desconsiderar o que por ser visto.
- A menos que seja tudo parte da minha imaginação.
São Pedro passou as mãos pelo rosto como quem diz que não recebe o suficiente para aquele trabalho. De fato, não recebia nada por aquele trabalho, e mesmo se recebesse, não haveria com o que gastar.
- Então... Você acha que não morreu e só está imaginando?
- De forma alguma, tenho quase certeza de que estou morto.
- E por que não haveria de estar no céu?
- Por que não acredito no céu.
Um ateu maluco. São Pedro tentava ao máximo não discordar da decisão divina, mas por que raios Ele queria aquele rapaz?
- Então... Você não acredita no céu... – São Pedro coçava os cabelos vermelhos por debaixo do boné azul tentando pensar em algo para dizer – Mas... Você acredita em mim, certo?
- Acredito?
- Não, dessa vez não. Você não pode achar que vai me convencer de que não acredita em mim, sendo que estamos conversando agora.
- Você... É, acho que tem razão... – São Pedro mal teve tempo de achar que tinha resolvido tudo quando o rapaz continuou – Então um de nós está enganado.
- Como assim? – Perguntou bravo.
- Eu estou conversando com você, isso implica em você também estar conversando comigo. Mas eu não acredito em você... Então ou eu estou enganado em achar que você não existe...
- Ou? – São Pedro estava impaciente.
- Ou você está enganado em achar que existe.
Nuvens negras surgiram por todos os lados. Crianças que não existiam correram para dentro de suas casas de mentira, donas de casa que não existiam foram rapidamente recolher roupas de mentira do varal e uma densa chuva começou a cair em cima de São Pedro e do rapaz que existia.
- Eu não existo? É isso que você está dizendo? – Apesar de ainda estar com a forma de um menino, sua voz soava como trovões.
- Quem sabe? – respondeu o rapaz sem parecer amedrontado.
- “Quem sabe”? Pois não fui eu homem? Pescador que viveu entre os homens um dia?
- Talvez. Nunca te vi por lá.
- Mas ouviu falar de mim.
- Já ouvi falar de tanta coisa...
- Eu não acredito nisso – São Pedro andava de um lado para o outro nervoso – Você está realmente querendo provar que eu não existo?
- Você consegue provar que existe?
- E como espera que eu faça isso? Você não se deixa acreditar em nada.
- Bom... Vai pensando, eu fico por aqui. Até lá esse lugar não existe e você é fruto da minha imaginação.
São Pedro pegou agressivamente sua blusa e prancheta de cima do banco e tomou seu caminho para casa em passos pesados.
- Já está indo? – Perguntou o rapaz – Então, até logo.
O menino ruivo continuava andando sem olhar para trás.
- Não fique assim. Não vou deixar de te imaginar.
São Pedro apertou o passo.
- Além do mais, talvez nenhum de nós exista realmente, é possível... – Gritou o rapaz.
A chuva parou de cair, embora ainda estivesse nublado. Crianças que não existiam saíram de casa para brincar em poças de mentira, donas de casa que não existiam foram para as ruas lavar as calçadas enquanto cumprimentavam um menino ruivo bravo que não respondia.
São Pedro entrou em casa, jogou as coisas no chão e deitou na cama ainda vestido. - Meu filho, você já chegou? – Disse uma mãe que não existia se materializando no quarto.
- Já... – Respondeu o menino desanimado.
- O que foi, meu filho? – Perguntou a mãe que não existia preocupada.
- Nada... Vou dormir.
- Tudo bem, boa noite – Disse enquanto sumia no ar.
São Pedro ajustou novamente o relógio para despertar no dia seguinte, tirou as sandálias e se cobriu para tentar dormir um pouco. Fechou os olhos e se lembrou de que naquele lugar não existia cansaço, sono ou sonhos. Por um momento, por um breve momento, São Pedro questionou sua existência. Por fim dormiu, ou melhor, fez o que chamava de dormir. Fechou os olhos e ficou imaginando como seria se as pessoas não se odiassem tanto, se vissem como a vida é mais simples, se amassem realmente ao próximo... Riu pensando que se elas pudessem ser assim, nem se importaria em não existir.
Eu sou Mariana. Franco. Mas só quem me chama assim é minha mãe, fica por aqui só Mari. Ou Maria. Joana.
Sou blogueira há quase cinco anos, mas escrevo desde que me entendo por gente. Minha primeira aspiração de gente grande foi ser escritora, depois vieram outras, de arquiteta e médica até presidenta do Brasil, aspiração essa que fazia meu sucesso entre os professores da quarta série. Tive ímpetos de ser jornalista também, ímpetos que dois anos e meio de curso de jornalismo na USP aniquilaram. Agora sou mais uma vestibulanda que pretende só estudar Letras, e talvez ensinar, e continuar a escrever.
E tenho de agradecer ao Ricardo pela apresentação que fez de mim aí. Ele é um... primo-cunhado? Prinhado? Não importa – é um cara grande e carinhoso, com um dos abraços mais gostosos que conheço, com a voz grossa e calma, aquelas vozes com as quais dá pra conversar por horas. Mais que a voz, a pessoa. E é bom de conversas, afinal nada como conversar sobre escrever com aqueles que também escrevem.
Obrigada pelo convite.
Posso escrever mais, tio? =D (criança feliz!)
Morri
Tinha nove anos e se aproximava o ano novo, o século novo. Todos se alegravam e ela mais ainda: uma menina e veria um século novo. XXI. Sonhava então com aquele caderno bonito de folhas lisas com desenhos de flores antigas nas bordas. Queria aquele caderno, queria para escrever. E pensou no seu ano novo.
Ficaria sozinha na chácara escura, e sentaria lá no alto das escadas sombrias ao lado do casarão, sob as árvores e ramos das mais diversas flores e folhas que cresciam por ali. E de lá, sozinha, veria os fogos de artifício do século novo e, sentada nos degraus, apoiaria o caderno bonito nos joelhos e escreveria. Entraria no novo século escrevendo.
E pensando.
Pensando no dia em que morreria.
Morreria dali cem anos, teria então cento e nove. Estaria deitada na sua cama. Cabelos brancos, um copo com água ao lado, sobre o criado mudo, colcha de retalhos. Ao pé da cama lhe estaria um neto ou bisneto. Ou neta. Bisneta. E veria da janela, das cortinas abertas, os fogos de artifícios do novo século, mais um novo século. XXII. E pensaria nos mais de cem anos que vivera e em tudo que fizera e em como o mundo mudara. E se lembraria por fim daquela outra passagem de século, na qual era menina apenas, sentada sozinha nas escadas escuras sob as árvores, olhando os fogos quieta e escrevendo em seu caderno bonito. Duas lágrimas rolariam pelo rosto enrugado, o caderno bonito estaria guardado ainda logo ali, na gaveta. E diria ao seu neto ou bisneto, ou neta ou bisneta, que já vivera bastante, e poderia agora morrer feliz, pois já vira um século inteiro, seu começo e seu fim.
Fecharia os olhos e adormeceria.
domingo, 25 de abril de 2010
Depois da maré alta
Porém, abro uma excessão agora.
Temos uma nova sócia para a companhia, mais uma "cara". É uma menina incrível, com os olhos cheios de lua. Não sei se algum dia vou entender essa magia que ela tem na ponta do lápis, mas com certeza encantará vocês tanto quanto me encanta.
Como sempre, ela mesma irá se apresentar. Vamos ao tema:
Morri
A Cia. Dois Caras agradece.
